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quinta-feira, 9 de março de 2023

Ácido Fólico pode provocar autismo?

 


A relação entre o consumo de ácido fólico por gestantes e o aumento do autismo nos bebês tem sido um tema controverso na comunidade médica e científica.

Algumas pesquisas sugerem que o consumo excessivo de ácido fólico pode estar associado a um aumento do risco de autismo em bebês, enquanto outras pesquisas sugerem que a suplementação de ácido fólico durante a gravidez pode, na verdade, reduzir o risco de autismo.

O ácido fólico é uma vitamina do complexo B que é encontrada em alimentos como vegetais verdes folhosos, feijão e grãos integrais. É importante para o desenvolvimento fetal, pois ajuda a prevenir defeitos do tubo neural.

Quais os defeitos do tubo neural?

Os defeitos do tubo neural (DTN) são anomalias congênitas que ocorrem durante o desenvolvimento do feto, afetando o cérebro, a medula espinhal ou a coluna vertebral. E incluem condições como espinha bífida, anencefalia e encefalocele, que podem causar danos permanentes ao sistema nervoso central do bebê.

A espinha bífida é uma condição em que a medula espinhal e as vértebras não se desenvolvem adequadamente, deixando uma abertura na coluna vertebral. Os bebês com espinha bífida podem apresentar uma variedade de sintomas, incluindo paralisia, falta de controle da bexiga e do intestino, problemas respiratórios e hidrocefalia (acúmulo de líquido no cérebro).

A anencefalia é uma condição em que o cérebro e o crânio do bebê não se desenvolvem adequadamente. Bebês com anencefalia geralmente não sobrevivem mais do que alguns dias após o nascimento.

A encefalocele é uma condição em que o tecido cerebral protuberante sai do crânio do bebê através de uma abertura na pele. A encefalocele pode causar danos ao tecido cerebral e pode estar associada a problemas neurológicos.

Os DTNs podem ter graves consequências para a saúde e qualidade de vida do bebê afetado, incluindo danos cerebrais, paralisia, problemas respiratórios e intestinais, hidrocefalia, entre outros. Por isso, é fundamental que as mulheres grávidas recebam a orientação médica adequada e façam o uso correto de ácido fólico ou metilfolato para ajudar a prevenir essas condições.

Outra anomalia que pode ocorrer pela deficiência do ácido fólico é o lábio leporino, que é uma malformação congênita que ocorre quando os tecidos que formam o lábio superior não se fundem completamente durante o desenvolvimento fetal. Isso pode resultar em uma fenda ou abertura no lábio superior, que pode ser pequena ou grande e afetar um ou ambos os lados do lábio. Nesses casos há recomendações de que a suplementação seja feito enquanto a gravidez ainda está sendo planejada.

Ácido Fólico ou Metilfolato?

Um estudo publicado em 2015 no periódico científico American Journal of Clinical Nutrition sugere que algumas mulheres podem ter dificuldade em processar o ácido fólico adequadamente devido a variações genéticas. Essas variações podem levar a uma redução na atividade da enzima MTHFR, que é necessária para converter o ácido fólico em sua forma ativa, o 5-metiltetrahidrofolato (5-MTHF).

Essa dificuldade em processar o ácido fólico adequadamente pode aumentar o risco de DTNs e outras complicações na gravidez em mulheres que apresentam essa variação genética.

Os pesquisadores descobriram que mulheres com a variação genética MTHFR tinham um risco maior de ter um bebê com DTN se não recebessem suplementação adequada de ácido fólico durante a gravidez.

Para mulheres com essa variação genética, pode ser necessário tomar uma forma mais facilmente absorvível de folato, como o metilfolato, para garantir que recebam a quantidade adequada de folato para a prevenção de DTNs e outras complicações na gravidez.

No entanto, é importante notar que nem todas as mulheres com essa variação genética terão dificuldade em processar o ácido fólico adequadamente e que outros fatores, como dieta e estilo de vida, também podem afetar a capacidade do corpo de processar o ácido fólico. Por isso, é fundamental que as mulheres grávidas consultem seus médicos antes de iniciar a suplementação de ácido fólico ou metilfolato durante a gravidez.

Alguns estudos sugerem que o metilfolato pode ser mais eficaz do que o ácido fólico na prevenção de defeitos do tubo neural e outras complicações na gravidez. Por exemplo, um estudo publicado em 2016 no periódico científico The Lancet Public Health comparou os efeitos da suplementação com ácido fólico e metilfolato na prevenção de defeitos do tubo neural em mais de 600 mulheres grávidas. Os pesquisadores descobriram que o metilfolato era mais eficaz do que o ácido fólico na redução do risco de defeitos do tubo neural.

É importante notar que mais pesquisas são necessárias para determinar se o metilfolato é realmente mais eficaz do que o ácido fólico na prevenção de outras complicações na gravidez, como o autismo.

Ácido Fólico x Autismo

Um estudo publicado em 2016 no periódico científico JAMA Psychiatry sugeriu que altas doses de ácido fólico durante a gravidez podem aumentar o risco de autismo em bebês.

Os pesquisadores analisaram dados de mais de 85.000 crianças na Noruega e descobriram que aquelas cujas mães tomaram suplementos de ácido fólico durante a gravidez tinham um risco maior de desenvolver autismo do que aquelas cujas mães não tomaram suplementos. No entanto, é importante notar que esse estudo não encontrou uma relação de causa e efeito entre a suplementação de ácido fólico e o autismo.

Já em outro estudo, publicado em 2018 na revista científica JAMA, sugeriu que o consumo adequado de ácido fólico durante a gravidez pode realmente reduzir o risco de autismo em bebês. Os pesquisadores analisaram dados de mais de 45.000 crianças na China e descobriram que aquelas cujas mães tinham níveis adequados de ácido fólico durante a gravidez tinham um risco menor de desenvolver autismo do que aquelas cujas mães tinham níveis insuficientes de ácido fólico. No entanto, é importante notar que este estudo também não encontrou uma relação de causa e efeito entre a suplementação de ácido fólico e o autismo.

Existem alguns estudos em andamento no mundo para investigar a relação entre o consumo de ácido fólico durante a gravidez e o risco de autismo nos bebês. Mas nada de conclusivo ainda foi publicado.

É importante que as mulheres grávidas consultem seus médicos antes de iniciar a suplementação de ácido fólico ou metilfolato durante a gravidez, sendo um ou outro se necessário é muito importante suplementar, e continuem a acompanhar as pesquisas sobre o assunto para tomar as melhores decisões em relação à saúde de seus filhos.


Fontes de pesquisa: